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Como pedir feedback (e receber uma resposta que serve para alguma coisa)

· 5 min de leitura

Dois colegas conversando diante de um notebook
Foto: Direct Media / StockSnap

“Você tem algum feedback para mim?” é uma das perguntas mais comuns no trabalho e uma das que menos rendem. A resposta costuma ser “não, está tudo bem” ou um elogio genérico. Não é má vontade de quem responde: a pergunta é aberta demais, chega sem aviso e pede que a pessoa avalie você inteira, na hora.

Feedback bom é resposta a uma pergunta boa. Dá para aprender a fazer.

Pergunte sobre uma coisa só

Quanto mais específica a pergunta, mais útil a resposta. Compare:

  • “Como estou indo?”
  • “Na apresentação de ontem, o que ficou confuso?”

A segunda é fácil de responder, porque aponta para um momento que as duas pessoas viveram. Escolha uma situação recente e um aspecto dela.

Peça logo depois

Feedback perde qualidade com o tempo. Uma semana depois, ninguém lembra dos detalhes. O melhor momento é no mesmo dia ou no dia seguinte:

Queria te pedir dois minutos sobre a reunião de hoje. Teve algum momento em que eu poderia ter conduzido melhor?

Avisar antes também ajuda. “Vou apresentar amanhã e queria que você prestasse atenção em como eu respondo às perguntas” dá à pessoa a chance de observar com esse olhar.

Perguntas que funcionam

Algumas que costumam render:

  • O que eu deveria continuar fazendo? Mostra o que está funcionando e que você talvez nem perceba.
  • O que eu poderia fazer diferente da próxima vez? Olha para a frente, e é mais fácil de responder do que “o que eu fiz de errado”.
  • Se você estivesse no meu lugar, o que teria feito? Convida a pessoa a dar a própria solução.
  • O que ficou menos claro? Boa para textos, apresentações e explicações.
  • De zero a dez, quanto isso atendeu ao que você precisava? O que faria ser um dez? A segunda parte é a que importa.

Peça para mais de uma pessoa

A sua liderança vê uma parte do seu trabalho. Pares, pessoas de outras áreas e clientes veem outras. Se você pede só para cima, fica com um retrato incompleto.

Quando duas ou três pessoas dizem a mesma coisa sem combinar, vale levar a sério. Quando só uma diz, vale entender melhor antes de mudar tudo.

Na hora de ouvir

É a parte mais difícil. Algumas regras simples:

  1. Não se justifique. Explicar o motivo, naquele momento, soa como defesa e faz a pessoa parar de falar.
  2. Peça um exemplo. “Você lembra de uma situação em que isso aconteceu?” transforma impressão em fato.
  3. Repita com as suas palavras. “Então o que você está dizendo é que eu falo rápido demais quando o assunto é técnico?” confirma que você entendeu.
  4. Agradeça. Dar feedback honesto dá trabalho e tem risco. Quem percebe que foi bem recebido volta a dar.

Você não precisa concordar na hora. Pode dizer “vou pensar nisso” e pensar de verdade.

Depois: anote e volte

Feedback que não é anotado se perde em uma semana. Registre o que ouviu, de quem e quando, com as palavras da pessoa.

E feche o ciclo. Algumas semanas depois, volte a quem te deu o retorno:

Você tinha comentado que eu falava rápido demais. Tentei mudar na reunião de ontem. Você notou diferença?

Isso faz duas coisas: mostra que o feedback teve efeito, e te dá um segundo retorno, sobre a mudança. É também um registro valioso para a sua próxima avaliação: um ponto de melhoria, o que você fez e o resultado.

Quando a resposta é “está tudo ótimo”

Às vezes está mesmo. Mas, se você suspeita que a pessoa está sendo só educada, facilite:

Que bom. E se fosse para melhorar uma coisa só, por menor que seja, qual seria?

Pedir uma coisa pequena tira o peso. Quase todo mundo tem uma.