Como registrar suas conquistas no trabalho (e por que um minuto por dia basta)

Tente lembrar do que você fez em março. Não o que estava na agenda: o que você resolveu, quem te agradeceu, que problema você evitou. É difícil, e não é falta de memória. É que o trabalho do dia a dia vai sendo coberto pelo trabalho do dia seguinte.
O problema aparece em três momentos: na avaliação de desempenho, na hora de atualizar o currículo e na entrevista, quando pedem “um exemplo de uma situação em que você…”. Em todos eles, quem registrou ao longo do caminho tem resposta. Quem não registrou improvisa.
O que vale registrar
Qualquer coisa que você gostaria de lembrar daqui a um ano. Na prática, cinco tipos:
- Entregas. O que você concluiu e o que mudou por causa disso.
- Elogios. Uma mensagem, um e-mail, um comentário em reunião.
- Feedbacks. O que te disseram, bom ou difícil.
- Conquistas. Um número batido, um cliente fechado, um projeto aprovado.
- Problemas. O que deu errado e o que você fez a respeito.
Registrar feedback negativo e problema é tão importante quanto registrar elogio. É dali que saem as melhores respostas de entrevista e as partes mais honestas de uma autoavaliação.
O formato que funciona
Uma boa anotação responde a quatro perguntas, em uma ou duas frases:
- O que aconteceu?
- Quando?
- Quem estava envolvido ou viu?
- O que mudou por causa disso?
Por exemplo:
12 de outubro. Apresentei os resultados do trimestre num formato novo. A diretora elogiou e pediu para levar ao comitê.
Não precisa ficar bonito. Precisa ter o fato. O texto caprichado vem depois, quando você for usar.
Guarde a prova quando houver
Um print do elogio vale mais do que a sua lembrança dele. Quando o reconhecimento vier por escrito, salve a imagem ou encaminhe a mensagem para onde você guarda os registros. Meses depois, você vai ter a frase exata, com data e nome.
Um cuidado: guarde o que diz respeito a você. Informação sensível de colegas ou de clientes não tem que estar nas suas anotações.
Um minuto, no mesmo horário
Hábito pega quando é pequeno e tem hora certa. O fim do expediente funciona bem: antes de fechar o computador, responda a duas perguntas.
- Uma coisa que foi boa hoje.
- Uma coisa que poderia ter sido melhor.
Tem dia em que não vai haver nada, e tudo bem. O objetivo não é registrar todo dia, é não deixar passar o que importa.
O que não funciona
- Deixar para o fim do mês. Você volta ao problema de reconstruir a memória.
- Anotar só o que foi incrível. O trabalho consistente também conta, e some se você só registrar os picos.
- Escrever demais. Se cada registro leva dez minutos, você para na segunda semana.
- Espalhar em vários lugares. Um caderno, um arquivo, um app: escolha um.
Para que serve depois
Com alguns meses de registros, você tem material para:
- a autoavaliação, com fatos e datas em vez de adjetivos;
- o currículo, com resultados reais no lugar de “responsável por”;
- a entrevista, com exemplos concretos para cada pergunta;
- a conversa de promoção, com o seu caso já montado;
- você, nos dias em que parecer que nada andou.
Esse último ponto é menos falado e talvez seja o mais útil. Reler o que você fez é um jeito concreto de enxergar o próprio valor, mesmo quando ninguém disse nada.