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Como registrar suas conquistas no trabalho (e por que um minuto por dia basta)

· 5 min de leitura

Pessoa escrevendo em um caderno sobre a mesa de trabalho
Foto: Startup Stock Photos / StockSnap

Tente lembrar do que você fez em março. Não o que estava na agenda: o que você resolveu, quem te agradeceu, que problema você evitou. É difícil, e não é falta de memória. É que o trabalho do dia a dia vai sendo coberto pelo trabalho do dia seguinte.

O problema aparece em três momentos: na avaliação de desempenho, na hora de atualizar o currículo e na entrevista, quando pedem “um exemplo de uma situação em que você…”. Em todos eles, quem registrou ao longo do caminho tem resposta. Quem não registrou improvisa.

O que vale registrar

Qualquer coisa que você gostaria de lembrar daqui a um ano. Na prática, cinco tipos:

  • Entregas. O que você concluiu e o que mudou por causa disso.
  • Elogios. Uma mensagem, um e-mail, um comentário em reunião.
  • Feedbacks. O que te disseram, bom ou difícil.
  • Conquistas. Um número batido, um cliente fechado, um projeto aprovado.
  • Problemas. O que deu errado e o que você fez a respeito.

Registrar feedback negativo e problema é tão importante quanto registrar elogio. É dali que saem as melhores respostas de entrevista e as partes mais honestas de uma autoavaliação.

O formato que funciona

Uma boa anotação responde a quatro perguntas, em uma ou duas frases:

  1. O que aconteceu?
  2. Quando?
  3. Quem estava envolvido ou viu?
  4. O que mudou por causa disso?

Por exemplo:

12 de outubro. Apresentei os resultados do trimestre num formato novo. A diretora elogiou e pediu para levar ao comitê.

Não precisa ficar bonito. Precisa ter o fato. O texto caprichado vem depois, quando você for usar.

Guarde a prova quando houver

Um print do elogio vale mais do que a sua lembrança dele. Quando o reconhecimento vier por escrito, salve a imagem ou encaminhe a mensagem para onde você guarda os registros. Meses depois, você vai ter a frase exata, com data e nome.

Um cuidado: guarde o que diz respeito a você. Informação sensível de colegas ou de clientes não tem que estar nas suas anotações.

Um minuto, no mesmo horário

Hábito pega quando é pequeno e tem hora certa. O fim do expediente funciona bem: antes de fechar o computador, responda a duas perguntas.

  • Uma coisa que foi boa hoje.
  • Uma coisa que poderia ter sido melhor.

Tem dia em que não vai haver nada, e tudo bem. O objetivo não é registrar todo dia, é não deixar passar o que importa.

O que não funciona

  • Deixar para o fim do mês. Você volta ao problema de reconstruir a memória.
  • Anotar só o que foi incrível. O trabalho consistente também conta, e some se você só registrar os picos.
  • Escrever demais. Se cada registro leva dez minutos, você para na segunda semana.
  • Espalhar em vários lugares. Um caderno, um arquivo, um app: escolha um.

Para que serve depois

Com alguns meses de registros, você tem material para:

  • a autoavaliação, com fatos e datas em vez de adjetivos;
  • o currículo, com resultados reais no lugar de “responsável por”;
  • a entrevista, com exemplos concretos para cada pergunta;
  • a conversa de promoção, com o seu caso já montado;
  • você, nos dias em que parecer que nada andou.

Esse último ponto é menos falado e talvez seja o mais útil. Reler o que você fez é um jeito concreto de enxergar o próprio valor, mesmo quando ninguém disse nada.